{"id":29,"date":"2011-11-29T00:48:00","date_gmt":"2011-11-29T00:48:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.magaphires.com\/?p=29"},"modified":"2014-09-25T17:56:10","modified_gmt":"2014-09-25T17:56:10","slug":"as-borboletas-azuis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/retalhosdevida.com.br\/?p=29","title":{"rendered":"AS BORBOLETAS AZUIS"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.magaphires.com\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/la-mariposa-azul.jpg\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"143\" data-permalink=\"https:\/\/retalhosdevida.com.br\/?attachment_id=143\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/retalhosdevida.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/la-mariposa-azul.jpg?fit=453%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"453,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"la mariposa azul\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/retalhosdevida.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/la-mariposa-azul.jpg?fit=453%2C300&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-medium wp-image-143\" title=\"la mariposa azul\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.magaphires.com\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/la-mariposa-azul-300x198.jpg?resize=300%2C198\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"198\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/retalhosdevida.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/la-mariposa-azul.jpg?resize=300%2C198&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/retalhosdevida.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/la-mariposa-azul.jpg?w=453&amp;ssl=1 453w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Um dia quando eu ainda era menina, estava em f\u00e9rias na casa de meus av\u00f3s no sitio. Eu gostava de levantar cedo para aproveitar bem o dia, levantava junto com a vov\u00f3 para sentir o amanhecer no campo, no pomar em meio as arvores altas das laranjeiras antigas, poder ouvir o canto dos p\u00e1ssaros, o cheiro das flores brancas cheia de abelhinhas a balan\u00e7as no vento, a fumacinha saindo no balde de \u00e1gua puxado do po\u00e7o pelas m\u00e3os delicadas de minha av\u00f3 Maria.<\/p>\n<p>As abelhas nas flores do mamoeiro carregado,de mam\u00f5es ali perto do po\u00e7o, uns madurinhos e outros verdes. Os sabias comendo um deles bem amarelinho, num buraquinho feito por eles. O cavalo conversando em sua linguagem com meu av\u00f4, querendo comer milho impaciente batendo a pata no ch\u00e3o na porta do paiol, enquanto o vov\u00f4 descascava as espigas. As galinhas disputando o milho com eles no cocho. Para mim tudo era magico, a felicidade morava ali e eu podia toca-la.<\/p>\n<p>Anoite tinha sido longa demais,uma chuva torrencial havia lavado a paisagem. Como toda crian\u00e7a com\u00a0 medo de trov\u00f5es, tinha ca\u00eddo uma grande parte em granizo, o barulho no telhado as janelas sacudiam com o forte vento, que nos assustava com suas rajadas violentas. A natureza estava furiosa, foi oque minha av\u00f3 disse ao meu av\u00f4.Tudo se acalmou, a chuva afinou e conseguimos dormir, para levantarmos com o sol raiando.<\/p>\n<p>E pela manh\u00e3, o sol brilhava como ouro saindo de tr\u00e1s do morro, e no meio aos pastos ainda havia muitas pedrinhas de gelo,que demoraram pra derrete. Parecia uma praia de diamantes o sol reluzindo em prisma nas gotas de \u00e1gua sobre o verde do gramado salpicados em pontinhos brancos de gelo.<\/p>\n<p>Logo depois de sair da mesa do caf\u00e9, o meu av\u00f4 me convidou para ir at\u00e9 o serrado com ele, buscar uns cip\u00f3s para fazer medicamentos, meu av\u00f4 era naturopata, preparava remedeios para toda a redondeza,conhecia tudo de ra\u00edzes e plantas.Tamb\u00e9m \u00a0medicava com gotas homeop\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Serrado \u00e9 o nome que ele dava a mata fechada, tamb\u00e9m chamava de mat\u00e3o. Serrada em grandes arvores de madeira de lei. Meu av\u00f4 era o m\u00e9dico naturalista da regi\u00e3o, profundo conhecedor do livro grosso do Dr. Almeida Prado. Ele tamb\u00e9m preparava umas gotinhas de ess\u00eancia de plantas\u00a0 em \u00e1gua pot\u00e1vel que chamava de doses, estas ele mandava vir da capital de S\u00e3o Paulo, que curava todas enfermidades, de quem o procurava, e nunca cobrava nada.<\/p>\n<p>Subimos para a grande mata nativa. Pelos caminhos arenosos da ro\u00e7a, cheio de po\u00e7as d&#8217;\u00e1gua da chuva Ele me contava a idade das arvores,falava que madeira era cada \u00e1rvore centen\u00e1ria que havia ali, desde o tempo dos escravos. Falava sobre as ra\u00edzes, e as plantas que curam, me explicava sobre as madeira de lei,o seu cheiro, o para que serviam, coisas de av\u00f4.<\/p>\n<p>Ao chegarmos, amaramos o cavalo na beira do caminho, e entramos mata a dentro. Era ensurdecedor o gorjear de tantos p\u00e1ssaros juntos naquela linda manh\u00e3 de primavera. Esp\u00e9cie e cores diferentes, voando no frescor da mata, era tudo um encanto, o cheiro das folhagens e as folhas secas ao ch\u00e3o \u00famidos, era maravilhoso e fresco.<\/p>\n<p>No alto um tran\u00e7ado de cip\u00f3s de folhas aveludadas bem verdinhas, muitos cachos em flores cor de rosa, nos cip\u00f3s sobrepondo as ramagens das arvores.<\/p>\n<p>Em certos lugares faziam portais, como conto de fadas e pass\u00e1vamos por eles, que faziam festinhas gotejando pingos frios da \u00e1gua sobre n\u00f3s.<\/p>\n<p>Em outros lugares parecia renda colorindo as ramagens das majestosas arvores. Os colibris trinavam em todo lugar num bailado de alegria frente as flores la no alto.Ficamos ali contemplando aquela grande festa, sentindo o intenso perfume da terra molhada.Flores e oz\u00f4nio das arvores. As orqu\u00eddeas bem no alto em flores.Fomos andando bem devagar,em cada lugar um trinar de novo p\u00e1ssaro.<\/p>\n<p>As folhagens balan\u00e7avam calmamente ao canto do vento calmo,molhando nos com gotas de orvalho geladinho, que acariciavam nosso rosto, e eu observava um sorriso no rostinho querido do meu av\u00f4,Euclides, que ficava tempo a olhar para o alto, com ternura tocava as\u00a0 arvores, parecia toca-las com o cora\u00e7\u00e3o, com a m\u00e3o espalmada em seus trocos parado, admirava sua majestade em silencio.<\/p>\n<p>Chegamos num lugar no cora\u00e7\u00e3o da mata, como ele chamava, ali as folhagem e ramas fechavam s\u00f3 havia uma clareira que dava para ver o azul do c\u00e9u. Ele me disse : \u00c9 aqui que falo com Deus, venho aqui sempre para orar, e olha aquela janela la encima. Apontando para a clareira que mostrava o infinito azul. Eu acredito que o Senhor me espera pra conversar na janela do c\u00e9u, continuou ele.<\/p>\n<p>Vov\u00f4 pegou em minhas m\u00e3os e disse vamos falar com Ele. E pode ter certeza que \u00a0o Senhor esta nos vendo,eu sorri e meu av\u00f4 tirou seu surrado chapeuzinho de palha\u00a0 da cabe\u00e7a, jogou no ch\u00e3o, ficamos em silencio falando com Deus. \u00a0Em espirito, eu s\u00f3 sabia agradecer por tudo, por ele ter feito aquele lugar, aquilo que eu via e por ter\u00a0 aquele av\u00f4 com alma de anjo, e ter me colocado naquele lugar.<\/p>\n<p>Ficamos ali um tempo meditando em silencio, parecia que nunca mais queria sair daquele estase, era m\u00e1gico e sagrado. Quando terminamos a ora\u00e7\u00e3o beijei as m\u00e3os cansada e queimada do sol do meu querido av\u00f4, que sorriu e disse minhas m\u00e3os est\u00e3o \u00e1speras, n\u00e3o merecem beijos.Eu sabia que mereciam todos os beijinhos do mundo, elas s\u00f3 plantavam amor.<\/p>\n<p>Entre as grandes ra\u00edzes das arvores meu av\u00f4 removeu as folhas secas e me mostrou algo interessante, o ch\u00e3o estava branquinho de quilos de pedrinhas de gelo,ele disse: \u00a0Olha que Deus reserva para sua natureza se refrescar, molhando as ra\u00edzes com \u00e1gua fresca por muito tempo. Eu na minha meninice via Deus um grande magico.<\/p>\n<p>De repente uma grande borboleta azul turquesa, cruzou nossa frente eu achei encantadora\u00a0 e o meu av\u00f4 disse: S\u00e3o lindas eu as chamo de anjos, elas sempre apreciam minhas ora\u00e7\u00f5es, e logo outras apareceram voando lentamente, no seu azul cintilante, eu disse: Olha outras! E meu av\u00f4 acudiu com um xiuuu! Fale baixinho, para n\u00e3o quebrar a pureza deste santu\u00e1rio<\/p>\n<p>Aqui come\u00e7a o c\u00e9u,e sorriu. Sentamos e ficamos ali mais um tempo apreciando o vibrar, da harmoniosa natureza, como Deus a fez, sem ningu\u00e9m tocar, foi um momento \u00fanico inesquec\u00edvel.De uma energia magica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dia quando eu ainda era menina, estava em f\u00e9rias na casa de meus av\u00f3s no sitio. 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